No belo quarto da ilusão
Se fundem anseio e gemidos
Tidos antes por amor
Que agora migraram para o puro prazer...
Recostado sob sua tez clara
Os pingos de meu suor
Lubrificavam sua mente flácida
Desnorteada de tanto querer...
Ao cair da tarde,
Enquanto me forçava
Em ser paciente,
No entanto, levado
Pelo odor eloqüente
Suspirava claro
Pela reentrância
De suas entranhas tão macias...
Você em meu ouvido
De fervor honroso
Chamava-me, então,
Belo e saboroso
E deixava que o prazer
A alucinasse...
Sussurros e gemidos,
Dor e castigo,
Loucuras e desventuras
Do ato envolvido
Pela luxúria e amor...
Ao qual migrou,
Um dia, como dito,
Do amor ao prazer
E mais uma vez chorou...
Pelos desencontros
Que a vida impôs
Então me convenha comentar...
Na primeira vez que tivemos
Fora pra sempre
Deixada uma marca em ti
Do teu corpo,
O qual recobri de saliva,
No que mais o conheço
Como a própria palma
De minha mágica mão,
Retirei as sensações
Que nos encantaram
Por longo tempo
Entre tuas coxas salivei
Sua pela fina,
E do pequeno monte
Em carne viva,
Recoberto do gramado negro,
Tirei o sabor dos teus gritos
De diva enlouquecida
Pelas mais agudas sensações do viver...
E teus maiores montes
Passei minha pequena espada
Ágil, macia, molhada e levada
Enquanto você ecoava os sons aos montes...
E o vapor da tua pele
Condensava-se em gotículas
De suor, seu coração palpitava
E sua respiração acelerava
Como se o mundo fosse acabar...
Foram várias vezes assim...
Fomos várias vezes levados
Pelo dom da química e da pele
E do amor, quiçá, distorcido
Pela mágica presença
De dois corpos em ardência
Que um dia tanto se amaram...
Mas há um detalhe
Que por tanta coisa
Fora esquecido:
De uma lápide cravada
Por entre tuas pernas
E pela primeira vez
O Caminho aberto
Fincou a cicatriz,
Por um corte produzido
Pelo meu florete
O qual nunca mais
Deixará de existir em ti
Uma cicatriz,
Como nunca antes visto...
Voltar à relação de Poesias Avulsas
Voltar à página inicial
